Terça-feira, Novembro 07, 2006

Mais um mito...

Apregoam os nossos amigos apoiantes do SIM no referendo que a estatística de abortos clandestinos em Portugal é de 20 000.
A minha professora de Matemática do liceu - grande senhora! - sempre nos ensinou a interpretar números, porque são representações da realidade e não a própria realidade.
Ora cá vamos:
Se os abortos são clandestinos, como fazemos esta aproximação?
Este número equivale ao contado de mulheres que tiveram complicações pós-aborto e recorreram aos hospitais.
MAS...
Em Portugal, o número de abortos espontâneos é cerca de 10% do número de nascimentos.
Segundos números do INE, em 2003 nasceram 112 589 crianças (http://www.apfn.com.pt/Noticias/Set2004/ineestdem.pdf). O que, pelas minhas modestas contas, equivalerá a cerca de 13 mil abortos espontâneos - que, sim, têm complicações.
Acrescentando a este panorama as complicações pós-aborto decorrentes das situações já previstas na actual lei, parece-me que 20 mil abortos clandestinos é uma ficção muito bem ficcionada.
CONCLUSÕES:
- Em Portugal, não há 20 mil abortos clandestinos por ano.
- Se, nos abortos espontâneos há complicações, tal como nos abortos já permitidos pela actual lei, quem é que acha que a liberalização da prática terminará com as complicações e problemas pós-aborto??

10 comentários:

Madalena disse...

Bem observado!

Anónimo disse...

Pois não... Há concerteza mais!!!

Dez mil abortos por ano são feitos legalmente em Espanha por mulheres portuguesas... A somar aos feitos clandestinamente em Portugal...

Anónimo disse...

20 mil ou 13 mil qual é a diferença?
Existem ou não abortos em Portugal?

Anónimo disse...

Abortos há e continuarão sempre a existir, como continuam a existir nos EUA onde o aborto foi liberalizado. A questão é só esta: um ser humano deve poder matar outro ser humano, ainda para mais indefeso? Uma sociedade avançada deve escolher defender a vida ou legalizar a morte?

Anónimo disse...

Errata: Abortos CLANDESTINOS há e continuarão sempre a existir, como continuam a existir nos EUA onde o aborto foi liberalizado. A questão é só esta: um ser humano deve poder matar outro ser humano, ainda para mais indefeso? Uma sociedade avançada deve escolher defender a vida ou legalizar a morte?

Aisling disse...

'Abortos há e continuarão a existir.' Claro que sim.
A questão é: Em que condições?
Será preferível manter as coisas como estão e continuarem mulheres a abortar clandestinamente, muitas vezes sem quaisquer tipo de condições? Ou, já que há e vão continuar a existir abortos, serem garantidas, pelo menos, o mínimo de condições não só humanas como de higiene?

Danilo disse...

Convido os amigos a lerem o meu artigo "Aborto: liberdade ou tirania?", publicado em meu blog Família de Nazaré ( www.familianazare.blogspot.com ).

tozé disse...

Minha cara aisling,

Peço desculpa, mas o seu raciocínio está errado. A minha amiga parte de uma pressima errónea. Não é pelo simples facto de haver abortos que nós os temos de aceitar! A meu ver, e perdoe-me esta visão utópica do mundo, temos, cada um de nós, enquanto membros de uma comunidade, de saber oferecer condições para que estes casos não se proporcionem... Pugnar, nem que isso nos gaste a vida toda, por um mundo mais justo, e não atirar os problemas para trás das costas. Legalizar o aborto é isso mesmo, atirar os problemas para trás das costas...
Acredite que eu votarei NÃO por uma questão ética e moral, mas podemos trazer à discussão a vertente económica da questão, pode ser? Então vamos. Pergunto eu: o que será mais dispendioso para o estado, uma política de formação (sexual, cívica, etc.) que aposte no esclarecimento da população e no planeamento familiar, ou, pura e simplesmente, legalizar o aborto e fechar maternidades, escolas e os centros de planeamento familiar? E os preservativos que eram distribuídos gratuitamente, por onde andam? A pergunta, como se percebe, é quase retórica...
Sabe, sou consultor numa ONG que luta pelos direitos das mulheres. Uma Associação que recebe e aconselha mulheres de todos os estratos e condições e, por incrível que pareça, são as que melhores condições possuem que mais rapidamente procuram abortar. Porque "a menina tem que ser gestora e tem que tirar o MBA e não pode ter um filho agora, blá,blá,blá..." Mas é assim a nossa era... Primeiro eu, depois eu, depois eu e depois eu!!

Bem, finalmente queria apenas dizer-lhe que tenho lido os seus comentários em vários blogues e que, apesar de termos opiniões adversas, admiro a cordialidade dos que neles imprime.

Anónimo disse...

«Este número equivale ao contado de mulheres que tiveram complicações pós-aborto e recorreram aos hospitais.»

Não é verdade. O número de mulheres que vão ao hospital é de cerca de 11 mil, e imagina-se que a maioria não corresponda, de facto, a abortos expontâneos (como o aborto, tal como os senhores querem, é clandestino e um crime, não sabemos quantos são espontâneos, quantos são provocados). Seria uma taxa de insucesso estupidamente alta para um acto médico simples (refiro-me apenas à simplicidade técnica).

O número de abortos provocados (IVG) andará próximo de 20 mil, de facto. De onde vem este número? Não vem de onde dizem, mas de uma extrapulação dos abortos realizados em Espanha, país com características culturais semelhantes às nossas. A a ser diferente em Portugal, é para mais, já que temos um plaenamento familiar mais deficiente (também vos podemos agradecer por isso).

Anónimo disse...

Errata:
"O número de mulheres que vão ao hospital é de cerca de 11 mil, e imagina-se que a maioria não corresponda, de facto, a abortos expontâneo"

Queria dizer exactamente o oposto: "O número de mulheres que vão ao hospital é de cerca de 11 mil, e imagina-se que a maioria corresponda, de facto, a abortos expontâneo"